Tiago Oliva Schietti, como empresário da área, alude que passar o comando de uma empresa familiar para a próxima geração envolve muito mais do que decisões sobre gestão e liderança: também costuma exigir investimentos em modernização, expansão ou reestruturação do negócio para que a transição aconteça em bases financeiras sólidas. O consórcio, embora não seja normalmente associado a planejamento sucessório, pode desempenhar um papel relevante nesse tipo de processo.
Empresas familiares em fase de sucessão frequentemente precisam renovar frotas, atualizar maquinário ou adquirir novos imóveis para acompanhar a visão que a geração seguinte pretende imprimir ao negócio. Como esse tipo de decisão costuma ser planejada com anos de antecedência, dentro do próprio processo de preparação sucessória, o consórcio se encaixa naturalmente nesse horizonte de tempo mais longo.
Um investimento alinhado ao ritmo da sucessão
Tiago Oliva Schietti pondera que processos de sucessão bem estruturados raramente acontecem da noite para o dia: especialistas em planejamento sucessório costumam recomendar preparação de vários anos antes da transição efetiva de comando. Esse mesmo horizonte de tempo é compatível com o prazo de contemplação de diversos segmentos do consórcio, permitindo que a nova geração já assuma a empresa com investimentos planejados e parcialmente concluídos, sem o peso adicional de dívidas com juros altos contraídas às pressas.
Consórcio como parte do planejamento patrimonial da família
Além dos investimentos diretos no negócio, famílias empresárias também utilizam o consórcio como parte de um planejamento patrimonial mais amplo, adquirindo imóveis ou outros bens que, futuramente, podem ser incorporados à estrutura de holding familiar, frequentemente usada para organizar a sucessão de patrimônio entre herdeiros. O empresário destaca que essa combinação entre consórcio e planejamento sucessório ainda é pouco explorada por consultores da área, mas representa uma peça adicional interessante dentro de uma estratégia mais completa.

Cuidado com a transferência de titularidade da cota
Um ponto de atenção específico nesse contexto é que, caso o titular original de uma cota de consórcio empresarial venha a se afastar da empresa antes da contemplação, seja por aposentadoria, seja por outros motivos ligados ao processo sucessório, é necessário formalizar a transferência da titularidade junto à administradora, seguindo os mesmos princípios já discutidos em relação à cessão de cotas e à sucessão em caso de falecimento. Tiago Oliva Schietti reforça que deixar esse tipo de pendência sem regularização pode gerar complicações desnecessárias justamente no momento em que a empresa está passando por uma transição já naturalmente delicada.
Integrar o consórcio ao plano de sucessão desde o início
Ao estruturar um plano de sucessão empresarial, a família já deve considerar quais investimentos futuros fazem sentido para o negócio e avaliar se algum deles pode ser planejado por meio de consórcio, incorporando essa ferramenta ao cronograma geral da transição, em vez de tratá-la como uma decisão isolada e desconectada do processo sucessório mais amplo.
O que avaliar antes de incluir o consórcio nesse planejamento?
Antes de considerar o consórcio como parte de uma estratégia de sucessão empresarial, vale mapear quais investimentos a empresa precisará realizar nos próximos anos, alinhar esse cronograma ao prazo médio de contemplação dos grupos disponíveis e formalizar com clareza, junto a advogados e contadores especializados em sucessão familiar, como a titularidade de eventuais cotas se encaixa no planejamento patrimonial mais amplo da família.
Um instrumento que também facilita conversas difíceis
Assim sendo, incluir decisões de investimento planejadas por consórcio dentro do processo sucessório pode ajudar a estruturar conversas entre gerações que, de outra forma, tendem a ser evitadas. Ao discutir concretamente quais equipamentos, imóveis ou veículos a empresa vai precisar nos próximos anos, e como financiar essas aquisições, a família acaba abrindo espaço natural para conversas mais amplas sobre a visão de futuro do negócio, o que, segundo o empresário, fortalece o próprio processo de transição de liderança.
Diante disso, Tiago Oliva Schietti resume que o consórcio, quando bem integrado a um plano de sucessão estruturado, pode se tornar mais um instrumento a favor da continuidade saudável de empresas familiares, ajudando a nova geração a assumir o negócio com investimentos já planejados e sem o custo adicional de juros que outras formas de crédito costumam carregar.
